O líder gestor e o autocontrole emocional

Para um líder gestor não basta ter a capacidade de pensar com “frieza” e “argúcia” mental

Texto de Renato Candemil

Penso! reflito! logo existo.

O ser humano recebeu o dom do pensamento, e por conta disso, desenvolveu a capacidade do raciocínio. Para um líder, um gestor, pensar é bom, pensar com autocrítica é melhor ainda, mas de que adianta essas qualidades se elas não vierem acompanhadas de outros requisitos.

A meu ver, para ser um bom líder, um líder gestor, não basta ter a capacidade de pensar com autocrítica, pensar com “frieza” e “argúcia” mental, ou ainda com velocidade de raciocínio. Não, não basta.

O bom líder gestor é aquele que além de ter as qualidades acima elencadas associadas às qualidades técnicas básicas para o desempenho das atividades, também busca desenvolver as capacidades associadas ao seu autocontrole emocional, principalmente no que diz respeito à sua gestão psíquica. Eu pergunto: como fazer isso?

Simples, com o desenvolvimento e absorção de conhecimento e principalmente do seu autoconhecimento. Penso! Reflito! Logo existo.

Ter o pleno controle da sua consciência emocional através do autoconhecimento lhe proporcionará um enorme diferencial competitivo no mercado de trabalho.

As organizações corporativas procuram cada vez mais por líderes gestores com esse perfil, na tentativa de mitigar as falhas técnicas e até morais de seus colaboradores, diminuindo os riscos de perdas financeiras decorrentes dos possíveis desvios de conduta, tanto moral como ilegal. Reflexo direto na imagem da corporação.

Domenico De Massi, escritor italiano, em seu best seller “O Ócio Criativo” utiliza uma frase que nos permite uma excelente reflexão: “O Homem que trabalha não ganha dinheiro.’’

E é exatamente nessa direção que as organizações corporativas estão caminhando, aplicando na qualificação de seus líderes gestores políticas de desenvolvimento emocional e até espiritual para lucrar. Mais tempo para pensar.

Por exemplo, quando uma organização adota a implantação das práticas de compliance (Fazer o certo com práticas legais, morais e sem desvios de conduta), como política de mitigação dos riscos, ela provavelmente terá que implantar conjuntamente uma cultura organizacional voltada para o autoconhecimento de seus líderes, gestores e colaboradores aumentando assim as chances de sucesso nessa implantação.

O “fazer o certo”, depende em grande parte da aplicação do autocontrole emocional por parte de todos os membros da organização, e eu complementaria aqui, em alguns casos, até espiritual para que as pessoas não desviem o foco com as práticas lesivas, tão em “moda” hoje no Brasil.

O desenvolvimento espiritual colabora sobremaneira na elevação ética e moral dos membros de uma organização, afinal de contas, o que está sempre em jogo, são “vidas”.

Certa vez, ao pretender empreender no ramo do comércio, escutei uma frase, dita como um conselho: “Comércio não é para bonzinhos”. Será?

Recentemente escutei outra frase: “O Brasil e a política não são para amadores”.

Cada vez mais, discordo desses paradigmas. Acredito que um líder gestor deve ter em mente que para alcançar o sucesso da organização, ele não precisa ser “mau” e muito menos, ser um profissional com técnicas voltadas para o “jeitinho brasileiro” tão escancaradas nesses tempos de “Lava Jato”.

Acredito que um líder gestor deve desenvolver soluções com base em pensamentos e ações que transformem a vida das pessoas de forma positiva, com ética e legalidade e, por consequência, acabem por transformar o mundo. Não tenho dúvidas de que fazendo isso, o sucesso da sua organização será pleno, com o total reconhecimento por parte da sociedade em que ela está inserida.

Boa reflexão.

 

Renato Candemil faz parte do time de sucesso da Conformità.
É o autor do livro “Uma Jornada em Busca da Verdade Espiritual”.

 

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